sexta-feira, 2 de março de 2012

Resultado extraoficial

 

Este é apenas o resultado preliminar da consulta à comunidade acadêmica. Os votos do campus de Presidente Médici não estão computados aqui, nem os votos em papel. Durante a votação, aconteceu de algumas pessoas não estarem cadastradas no seu ponto de votação (seja por qual motivo for). Essas pessoas votaram em papel. Estes votos serão apurados amanhã, a partir das 9h na Unir-Centro. Todos estão convidados a comparecer na apuração de amanhã.

Observando os números, pode-se notar que Berenice teria sido eleita pela comunidade se o voto fosse paritário (33%, 33%, 33%) ou universal. Apesar de muitos estudantes não terem votado, demonstraram sua força nas urnas.

A lista tríplice será composta no colégio eleitoral, ou seja, no Conselho Universitário (CONSUN), que ocorrerá no dia 15 de março e posteriormente será encaminhada ao Ministério da Educação (MEC) para nomeação do primeiro da lista. É praxe na Unir que a lista tríplice seja elaborada pela equipe daquele que foi mais votado na consulta à comunidade acadêmica.

A Professora Berenice Tourinho agradeceu à equipe de professores, técnicos, estudantes e demais colaboradores que contribuíram para que mais esta vitória fosse possível e, assim, avançamos mais um passo – um imenso passo – em direção à construção da Democracia na Universidade.

P.S.: Há algo de errado na contagem de extra-quadro e de técnicos, pois a UNIR não conta com tantos.

Sobre a capacidade de se surpreender e superar

Há um ano vim trabalhar na Universidade Federal de Rondônia-UNIR - ou o que sobrou dela. Espantei-me com o que vi quando aqui cheguei. Surpreendeu-me o estado de coisas, o abandono, a ausência de tudo, desde o básico até a dignidade de professores, estudantes e técnicos, os quais eu encontrava pelos corredores escuros e mofados ou pelos caminhos enlameados e tomados pelo mato do campus de Porto Velho.
De fato, fui tomado por aquele sentimento com o qual uma das mais importantes “teóricas políticas” (como ela gostava de se intitular) do século XX, Hannah Arendt, descreveu como sendo a “capacidade humana de se surpreender com as coisas”. E desde então surpresas não me faltaram.  Surpresa com a apatia, com as atitudes, com a fala de alguns. Concordo com Arendt quando ela defendia esta necessária atitude de se surpreender e reagir. Pois caso contrário, passa-se a achar que tudo é “natural”, banaliza-se o que deveria ser combatido. Tornam-se atitudes banais: o abandono, a corrupção, a má gestão, a mediocridade, a hipocrisia.
“Naturaliza-se” o fato da única universidade pública do Estado, que conta 30 anos de existência, que tem cerca de 9 mil estudantes, ter apenas 576 professores,  ter apenas 287 técnicos. Torna-se banal uma Universidade Federal que tem 56 cursos, 7 pós-graduações e 8 campi não ter banheiros funcionando, não ter bibliotecas adequadas, não ter Restaurante Universitário, não ter salas de aulas, não ter laboratórios, não ter Hospital Universitário, não ter Colégio de Aplicação, não ter gestão.
Eis que ouço um grito. Espanto, indignação, revolta. Uma greve, professores. Estudantes, ocupação. Um basta. Uma renúncia. Um Fórum, mais surpresas, espantos. Uma campanha, uma luta, interior, mais surpresas, revolta, discussões, palavras e agora números, votos.

Hannah Arendt tinha razão: devemos manter a capacidade de nos surpreender sempre com tudo aquilo que não é “natural”, com tudo aquilo que não é digno do ser humano. Com tudo aquilo que não representa uma comunidade, um coletivo, uma Universidade. Avante todos aqueles que lutaram durante a greve, avante a todos aqueles que acreditam no coletivo, neste Fórum Permanente em Defesa da UNIR e na força que, se nos UNIRmos, teremos!  
Vamos unir a UNIR, vamos reconstruir a UNIR vamos consolidar a UNIR.

Marcelo Sabino - Professor de História - UNIR

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Um novo caminho para Unir e um novo caminho para a Amazônia

A Amazônia paga o maior preço pela entronização de um modelo de desenvolvimento centrado na extração e no processamento básico de recursos naturais, alimentando extensiva e intensivamente sua fornalha. O desmonte do licenciamento ambiental e do código florestal, além de medidas de regularização da grilagem e o subsequente sucateamento dos órgãos de controle e fiscalização têm por objeto a abertura ilimitada da fronteira de acumulação na Amazônia. Que significado tem uma política de portas abertas para o agronegócio, para a mineração e o setor energético em toda a região amazônica, sem o amadurecimento de salvaguardas e condicionantes sociais e ambientais?

Não se trata, portanto, de um processo de modernização em geral, é sim um particular processo de expropriação e de apropriação em larga escala conduzido de forma centralizada para servir a um modelo de destruição e decomposição da biodiversidade e sociodiversidade amazônicas. As chamadas “limpezas de área”, antes promovidas pelo coronelismo, se tornaram política de Estado na Amazônia.

A descaracterização da Amazônia e sua conversão em acervo, estoque de matérias primas e de energia, tem no Estado de Rondônia um pólo avançado de consolidação. Ponta-de-lança que foi dos famigerados programas de colonização e de incentivos fiscais nos anos 70 e 80, o Estado de Rondônia tornou-se palco para o relançamento dos grandes projetos de infra-estrutura na região. As usinas hidrelétricas instaladas no rio Madeira a partir de um licenciamento rebaixado, desconsiderando pendências técnicas estruturais e os interesses da população local, foram uma demonstração do método brutal de capitalização e apropriação territorial que seria depois aplicado em toda a Amazônia.

A Universidade Federal de Rondônia deveria ter um papel destacado no processo de revisão e avaliação desses processos desterritorializantes. E mais que isso, deveria reunir competência e quadros para assinalar outros cenários de dinamismo econômico e de diálogo social, resgatando e revitalizando fórmulas e experiências derivadas da singular trajetória da população do Estado. Nossa Universidade para tanto deveria ter suas prioridades de pesquisa elencadas a partir de um diálogo continuado entre a comunidade universitária e as organizações representativas da sociedade.

Ao contrário disso, o que se viu, em especial na suas últimas gestões, foi a fragmentação contínua dos escassos centros de pesquisa existentes e depois sua funcionalização nos marcos das agendas de instituições financiadoras, notadamente as mesmas grandes empresas impulsionadoras da devastação ambiental e da desestruturação dos modos de vida das comunidades tradicionais.

Afora isso, a captação de recursos e a execução orçamentária seguiu uma lógica canibalística com vistas a atender interesses particularistas, ao invés de estar a serviço de uma política articulada de ensino, pesquisa e extensão coerente com a necessidade de contrabalançar a dinâmica caótica de incorporação econômica do Estado e da região aos grandes negócios. A UNIR, nesses últimos anos, antes reproduziu as piores práticas inscritas na formação histórica do Estado, reproduzindo e multiplicando espaços de clientelismo, corrupção e privatismo. Autonomia universitária desperdiçada e leiloada. Esperamos que a partir das eleições no dia 01 de março possamos vislumbrar um novo rumo.



Prof. Luis Fernando Novoa Garzon
Departamento de Ciências Sociais da UNIR
Doutorando  IPPUR-UFRJ

domingo, 26 de fevereiro de 2012

“Sobre História” e estórias.

Por: Marcelo Sabino
Professor de História Contemporânea - UNIR
O título acima foi tomado, em parte, de empréstimo de uma das mais significativas obras do historiador Eric Hobsbawm (1998, p. 47). Neste livro, o autor assim se refere sobre a tarefa do historiador e sobre a História:
“Admito que, na prática, a maior parte do que a história pode nos dizer sobre as sociedades contemporâneas baseia-se em uma combinação entre experiência histórica e perspectiva histórica. É tarefa dos historiadores saber consideravelmente mais sobre o passado do que as outras pessoas, e não podem ser bons historiadores a menos que tenham aprendido, com ou sem teoria, a reconhecer semelhanças e diferenças”.
Embora seja eu apenas um professor de História e aprendiz de historiador, com graduação em História e mestrado nesta mesma área do conhecimento humano, penso saber minimamente reconhecer semelhanças e diferenças além de saber sobre o passado - de forma acanhada, mas um pouco mais do que aqueles que possuem formação em outras áreas do conhecimento. Ainda é dessa pequena condição de aprendiz de Historiador que discordo com o argumento de Hobsbawm de que o historiador deva, “com ou sem teoria”, saber reconhecer semelhanças e diferenças. Deve ter ele (o historiador ou aprendiz) o conhecimento mínimo da teoria sim, pois só assim estará apto a fazer uma crítica qualificada sobre a História.
Assim não posso furtar-me de opinar e fazer críticas, perguntas e recomendações teóricas para os administradores e colaboradores de um site intitulado documentariounir.com.br que há algum tempo vem tentando fazer a “verdadeira história da UNIR”; mais especificamente sobre o uso indefinido e inapropriado que os administradores e colaboradores deste site estão a fazer desta importante e muito cara área do conhecimento intitulada História. 
Pergunto: Quem é o historiador responsável por este site? Se é que existe algum. Se existe, fico decepcionado e coloco seu conhecimento sobre o fazer histórico em cheque e me ponho à disposição para discutir a historiografia da História com ele.
Há muito tempo, desde o século XIX, para ser mais preciso, não se escreve História com base somente em documentos oficiais, com uma linha do tempo, com herois e de forma tão tendenciosa quanto o que vi e li neste pretensioso e duvidoso site chamado documentariounir.com.br. 
Leopoldo Von Hanke, historiador do século XIX, foi um dos historiadores responsáveis por uma forma de fazer História, chamada posteriormente de positivista. Apostou e investiu numa escrita da História comprometida com herois, datas e o fortalecimento e consolidação do Estado-nação. É deste período o fortalecimento e o surgimento, propriamente dito da História como uma disciplina. Percebo a semelhança dessa forma (já ultrapassada) de escrever a História, nas linhas “tortas” deste sítio eletrônico.
Constam ali anos aleatórios, parte de documentos oficiais, parte de uma História da Universidade Federal de Rondônia. Uma escrita tendenciosa, comprometida com qualquer outra coisa, menos a boa e sadia tarefa do historiador que é mostrar possibilidades, relações e críticas sobre o passado, suas semelhanças e diferenças com o presente e a necessária crítica qualificada, como nos lembra Hobsbawm (1998).
A forma como está disposta a “verdade” sobre o passado e a “história da UNIR" neste site é muito semelhante ao modo comprometido da História Positivista. A História hankiana estava comprometida com a formação de um Estado Nacional, uma história tendenciosa que considerava apenas os documentos oficiais (aqueles produzidos por um aparato burocrático) como fonte máxima e única portadora da “verdade”. Assim eu pergunto: com quem está comprometido este site? Quais os interesses que ele esconde? Por que somente agora, às vésperas de um processo de escolha de novo Reitor ele se mostra?
Por muito tempo, países utilizaram-se desse expediente para propagar a sua “verdade”, para a consolidação e, em alguns casos, a construção de uma História Nacional que interessava a um determinado grupo, seja para garantir a hegemonia de uma determinada classe ou segmento social, seja para difundir suas nada amistosas “verdades”. Percebo semelhanças dessa forma ultrapassada de escrever História com a forma apresentada por este infeliz site.
Poucos - e eu arriscaria que nenhum - historiadores profissionais capacitados, que frequentaram curso de graduação, mestrado e doutorado nesta importante área do conhecimento humano se arvoram em defender uma História hankiana e positivista portadora da “verdade” sobre o passado (e o presente), pautada numa linha reta do tempo, com datas definidas de forma aleatória, com herois salvadores da pátria, com inimigos do Estado. E mais: com fontes que curiosamente foram produzidas por um braço da burocracia deste mesmo Estado.
Escrever, pesquisar e fazer história assim é no mínimo temerário e pouco, muito pouco responsável. É escrever estórias. Não estou aqui a colocar todo o conhecimento produzido no século XIX no lixo. Saibamos, e para isso serve a História feita com responsabilidade e com método, que  este método serviu a um propósito e que era o conhecimento feito no século citado e que, portanto, merece nosso respeito. Não se pode dizer o mesmo da forma como se apresenta este site-documentário.
Estou a escrever tudo isso porque sou historiador, com leituras, pesquisas e conhecimentos mínimos sobre a História - mas capazes de reconhecer uma História escrita nos moldes do século XIX. É contra essa prática que segue minha crítica e desabafo.
 Estamos no século XXI e há muito esta Ciência Humana, a História, recebeu novas versões, sofreu contribuições, tenta recuperar-se da mácula de sua origem vinculada ao Estado-nação autoritário e tendencioso. Muitos foram os estudiosos que dedicaram vidas e esforços para tornar a História uma área do conhecimento mais humana, mais responsável, livre de amarras e interesses outros que não o compromisso com o saber e o livre exercício da razão e da crítica qualificada sobre a sociedade contemporânea. Não o passado pelo passado, sem métodos, sem compromissos com a sociedade, com a crítica, com a razão. Neste sentido, escreve LE GOFF (2003, p. 25):
O passado é uma construção e uma reinterpretação constante e tem um futuro que é parte integrante e significativa da história. Isto é verdadeiro em dois sentidos. Primeiro, porque o progresso dos métodos e das técnicas permite pensar que uma parte importante dos documentos do passado esteja ainda por se descobrir.
Há que se reconhecer as diferenças. Há que se reconhecer os novos métodos e técnicas do fazer histórico, para isso estamos a estudar e a pesquisar sobre a História. Por favor respeite-nos, por favor não se aventure a fazer aquilo que outros profissionais estão há anos estudando e para o que estão aptos. Acaso você aceitaria ser operado por algum outro profissional que não um médico habilitado para tal cirurgia? Por favor, não estou a dizer que não deva estudar sobre o passado, mas se pretende dar visibilidade a esse estudo, que o faça com responsabilidade, que consulte um historiador, que se atualize, que leia, que pesquise, que saiba que existem métodos e técnicas atualizadas para o “fazer Histórico”.
Temos, hoje, por exemplo, o advento da Nova História que, além dos documentos oficiais trabalha com a oralidade, com testemunhos, com documentos produzidos por pessoas comuns, cartas, agendas, objetos, obras, construções. Tudo de modo a permitir “ouvir” todas as partes envolvidas nos fatos e objetos estudados. Não apenas partes, frações descontextualizadas, inacabadas, arrazoadas e colocadas como única verdade.  
Desculpem-me, mas arvorar-se no direito de fazer uma pretensa “verdadeira” história da Universidade Federal de Rondônia por meio de um site cuja fonte máxima parecem ser tão somente partes de documentos oficiais é no mínimo constrangedor, para não dizer desrespeitoso com todos aqueles que estudam e pesquisam sobre História. E ao dar visibilidade colocando-o num site de acesso público, seus administradores devem aceitar críticas e sugestões, que é o que estou a fazer.
Assim eu peço, por favor, mais respeito com tão cara e importante área do conhecimento como o é a História. E não estou aqui a impedir que se critique ou a negar a participação de todos no “fazer histórico”. Ocorre que estamos numa Academia em que o mínimo que se exige é respeito com a área de conhecimento alheio.
Por favor, ao utilizarem da História, o façam com responsabilidade e tenham a decência e o caráter de ao menos consultar os profissionais desta área de que dispõe a própria UNIR. Tenham o mínimo de espírito acadêmico para mostrar e indicar onde estão as fontes, quais os métodos utilizados.
Fico triste e de fato muito, mais muito aborrecido quando qualquer um se arvora na intenção de fazer uma “verdadeira História”, seja da UNIR, seja do que for. Especialmente quando este alguém sequer frequentou uma disciplina acadêmica que o habilite minimamente para tal, ou ao menos o atualize sobre o fazer História, pois se assim fosse, não seriam cometidos tantos equívocos teóricos e metodológicos como os que são percebidos no malfadado documentáriounir.com.br.
Desculpem-me o tom deste desabafo, mas não consegui calar-me diante da pretensão tosca de fazer da História, tudo aquilo que há séculos muitos estudiosos desta área tentaram desconstruir.
Há muito sabemos que “verdades” são construídas. Há muito sabemos (estudiosos da História) que foram trocados os artigos definidos o e a pelos indefinidos um e uma pois que o que se oferece, o que o historiador comprometido com o método, comprometido com a Academia, com o saber e a Ciência História sabe que se oferece, é que não é possível chegar na “verdade”. A História, tal como ela aconteceu de fato, é inatingível, não há resgates em História: há conjecturas, há interpretações. Há leituras possíveis, há possibilidades, há caminhos. São apenas possíveis interpretações com base em métodos e teorias. Assim pergunto: Acaso leram os documentos oficiais e os processos citados no site até o fim? Acaso fizeram as necessárias consultas a outras fontes como bibliografias, testemunhos (quando possível)? Qual o método histórico utilizado neste site?
 Ao que parece, é o método positivista, de Hanke. Informo-lhes que este método há muito foi abandonado (ao final segue uma pequena bibliografia para, se acaso quiserem, ler para fazer de forma mínima uma História da UNIR menos positivista e menos tendenciosa), mais atual e próxima do que os historiadores vêm fazendo, pesquisando e estudando.
Por favor, respeito. Por favor, não façam troça com a História. Por favor, refiram-se a ela com no mínimo um pouco de dignidade e humildade. Por favor, não ofendam os olhos e a inteligência daqueles que estudam e levam a História a sério. Por favor, não brinquem com tão importante área do conhecimento como acredito e defendo ser a História. Por favor respeitem a História e não façam dela apenas estória.

BIBLIOGRAFIA PARA CONSULTAS:
BRAUDEL, Fernand. (2009). Escritos sobre a história. São Paulo: Perspectiva.
BURKE, Peter. (2002). História e teoria social. São Paulo: Editora da UNESP.
___________. (1992). A Escrita da história: novas perspectivas. São Paulo: Editora da UNESP.
CARDOSO, Ciro F. (2002). Os Métodos da história. Rio de Janeiro: Graal.
HOBSBAWM, Eric. (1998). Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras.
LE GOFF, Jacques. (2003). História e Memória. Campinas/SP: Editora da UNICAMP.
LE GOFF, J. CHARTIER,R. e REVEL, J. (Orgs.).(2005).  A História nova. São Paulo: Martins Fontes.
MALERBA, Jurandir (Org.).(2010). Lições de história: o caminho da ciência ao longo do século XIX. Rio de Janeiro: FGV e EdiPUCRS.




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

SOBRE RAPOSAS E OVELHAS

"Não critique, não participe, não fale, não grite. O momento agora é outro. Siga em frente, continue seu trabalho, volte à sua vida. Se estudante: estude, se técnico: trabalhe, se professor: dê aulas. Eu sei como a Universidade funciona, deixe-a comigo, eu tenho a solução para os seus problemas. Eu sou o caminho, a verdade e a justiça."
  
Desconfie deste discurso. Desconfie sempre. Lembre-se de que a Universidade somos nós. Lembre-se que foi esta postura de acomodação que permitiu que a única Universidade pública deste Estado chegasse ao ponto em que está.

Diga NÃO a esta postura, critique, pergunte, questione, aja com a razão. Sempre é momento para exercer o livre e necessário ato de participação política. Isto é Democracia. Ser democrático não é só votar nessa ou naquela candidata e esquecer, continuar sua vida, seguir em frente. Ser democrático é participar e respeitar as decisões propostas e discutidas por aqueles que formam a Universidade. Ser democrático é cumprir com a função para a qual foi eleito em respeito aos que votaram em seu nome. A não ser que os próprios eleitores não se sintam mais representados ou não o reconheçam como capaz de continuar.    

Se é verdade o que escreveu Thomas Hobbes (1588-1679), se é verdade que o homem é o lobo do homem, não devemos agir como ovelhas. Não aceite ser tratado como ovelha e saiba reconhecer uma raposa em pele de cordeiro. É fácil, preste atenção em suas atitudes. 

Geralmente as raposas são aqueles que se unem e agem coletivamente quando lhes convém, quando o inimigo é grande e forte demais. Mas uma vez derrubada a presa, não lhes interessam mais as decisões e ações participadas e discutidas coletivamente. Voltam para seu grupinho. Lutam para garantir a melhor parte da caça para si. São aqueles que dizem o tempo todo "Não critique, não participe, não fale, não grite: o momento agora é outro.  Siga em frente! Aja como ovelha."

Não somos feras, não devemos agir feito ovelhas nem ser comparados a elas. Somos humanos, seres políticos por natureza, tal como acreditava Aristóteles. Logo critique, participe, fale. Sempre é momento para o exercício político democrático.

Marcelo Sabino
Professor de História – UNIR.  

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Entendendo as categorias: técnicos

Na universidade convivem três categorias, ou segmentos: discentes, docentes e técnicos. Na Unir, todos os funcionários que não sejam docentes são chamados de técnicos, mesmo quando desempenham funções longe de burocráticas.

Segundo a lista de técnicos, a Universidade Federal de Rondônia conta com 290 servidores. Dentre eles, figuram porteiros, marceneiros, pedreiros, jardineiros, bibliotecários, motoristas, revisor de texto, telefonistas, eletricistas, almoxarifes, administradores, serventes de limpeza, operadores de máquina copiadora, secretárias, médicos, psicólogos, contadores, assistentes e auxiliares em diversas funções - e técnicos.

De fato, se na lista dos 290 técnicos há tantas pessoas que não exercem funções burocráticas, faz-se urgente a contratação de técnicos-administrativos qualificados para fazer fluir a vida burocrática da UNIR- que no momento é um problema.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Alteração no calendário

Em virtude do recesso de carnaval, ficou decidido que a reunião do dia 17 (sexta-feira) foi antecipada para o dia 15 (quarta-feira). Horário e local permanecem.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Discutir a universidade

Para que haja discussão, é preciso saber ouvir e também é preciso saber falar. Assim, discutir a universidade não significa nem ouvir discursos, nem despejar reclamações, tampouco ouvir um discurso para depois não reagir a ele e falar de outros assuntos. Discutir a universidade significa construir um diálogo.

A cooperação entre as partes se faz necessária para que o diálogo seja produtivo. E a conversa sobre a universidade não pode se limitar a uma categoria, um campus, dinheiros, equipamentos, vagas. A conversa sobre a universidade precisa passar pela política de graduação e pós-graduação (quais cursos oferecer, perfil dos cursos), pelas políticas de permanência do estudante na universidade (através de auxílios, infraestrutura ou ocupação), pela integração de suas partes (é preciso que haja possibilidade de trânsito entre cursos e campi), pela regulamentação da universidade. Nesse sentido, discutir a universidade não se limita a discutir coisas, mas posturas políticas e possibilidades de ação.  

Durante a campanha dos candidatos a reitor(a) da UNIR,  a discussão sobre a universidade - iniciada no Fórum depois de um longo tempo de hibernação - volta a ganhar corpo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

De democratas e fascistas

                               
Por professor Edilson Lôbo 

O professor Erasmo chamou minha atenção para uma matéria veiculada no site rondoniadinamica.com, cujo título estampado é: FÓRUM FASCISTA QUER IMPOR “CANDIDATURA ÚNICA” NA ELEIÇÃO PARA REITOR DA UNIR.

Vamos fazer um pouco de exercício, numa linha bem didático-pedagógica, no sentido de esclarecer alguns pontos que jugamos importantes para melhor informarmos nossa comunidade, tanto acadêmica quanto a sociedade rondoniense.

Fascista é uma pessoa adepta do fascismo, regime autoritário de extrema direita que teve em Benedito Mussolini o seu principal inspirador a partir dos anos 1919 do século passado na Itália. Essa tentativa de imputar ao Fórum uma postura fascista é um despautério. Primeiro porque comete um erro de gênese na sua formulação. Em segundo lugar, se olharmos o perfil dos componentes do Fórum, é fácil perceber que não temos nenhuma vocação para uma postura de extrema direita. Por fim, o Fórum não está impondo nem vai impor nenhuma candidatura à eleição para reitor. O Fórum está trabalhando numa candidatura que é sua. Legitimamente construída dentro dele. Foi decidido internamente que o Fórum apresentaria apenas um candidato. Quem quis se candidatar de forma livre e democrática, o fez. Através do voto, o Fórum elegeu uma candidata: Berenice Tourinho.

Permitam-me algumas citações da matéria, para nossa reflexão (do Fórum).

“(...) nota-se que os ideais não passaram de falácia e politicagem de grupos que querem tomar conta da universidade.”

Mas é lógico que queremos tomar conta da nossa Universidade. Inclusive para que antigos aventureiros ou quaisquer outros “lancem mão dela”.

Quanto aos nossos ideais, continuam os mesmos. Com o mesmo ímpeto da greve, continuamos no Fórum na mesma luta que nos anima e nos faz seguir em frente, sempre na perspectiva de fazer o melhor por nossa instituição. O grupo continua unido em torno desses ideais e a cada dia recebe mais adesão.

“O nome do fórum é só para fortalecer o nome da candidata, mas está longe de ser uma candidata democrática.”

Estamos fortalecendo o nome da nossa candidata, óbvio. Ela foi democraticamente eleita pelo nosso Fórum. Deveríamos estar fortalecendo outras candidaturas, nossas concorrentes?


“Esta semana, por exemplo, o Fórum realizou a apresentação de uma única candidatura. A convidada foi a candidata Berenice Tourinho.”

Sim, deveria ser quem então, o Papa? Ora, se o Fórum legitimamente definiu pela sua candidatura, a quem mais deveria ser estendido o convite se não a ela própria?


O texto faz alusão ainda à existência de outras candidaturas fortes, como a do professor Júlio Rocha, a da professora Maria Cristina - que participaram e deram suas contribuições ao Fórum - bem como a dos professores Ene Glória e Júlio Militão.

Aqui cabe uma breve ressalva aos nomes dos candidatos Júlio Rocha e Maria Cristina. Estes participaram do Fórum e tiveram, se assim o quisessem, todas as oportunidades para submeterem seus nomes ao Fórum, dentro das regras criadas internamente. A regra era que qualquer que fosse o candidato eleito, os demais abririam mão das suas candidaturas em prol de um único nome saído do Fórum. Essa era a proposta e esta deveria ter sido a decisão mais consentânea com os ideais de respeito às decisões coletivas e da democracia representativa que tanto pregamos.

Hão de dizer esses candidatos que saíram  do Fórum por não concordarem com a forma dirigida e preferencial como determinadas pessoas privilegiaram a professora Berenice Tourinho. Mas vejamos uma coisa, e não sejamos ingênuos quanto a isso. Todos sabíamos, desde o início, que as pessoas que se levantaram em torno do movimento grevista não estavam homogeneamente colocadas. Mais que isso. E vamos ser bem realistas sem nenhum subterfúgio. Todos temos nossas preferências, todos temos nossa matiz política e ideológica, nossas crenças, nossos interesses. É salutar que assim seja, principalmente na academia. Temos escolhas, elas são livres, não devem ser impostas. A candidatura da professora Berenice foi uma candidatura que saiu naturalmente da articulação de pessoas que acreditam na sua capacidade de bem conduzir a nossa Universidade, já que durante a greve ela desempenhou um papel crucial na comissão de apoio à Unir.

Isto faz a grande diferença. Não foi ela quem postulou ser candidata. Na verdade, ela até relutou contra isso. Mas foi justamente quando ela percebeu a coesão e a confiança necessária que o Fórum depositava nela, viu-se legitimamente fortalecida e em condições de pleitear a sua candidatura.

Se os outros candidatos não tiveram pessoas ou grupo que se articularam em torno de seus nomes para galvanizar interesses e preferências pelas suas candidaturas, sentimos muito. Isso se dá no horizonte da democracia. Faz parte da correlação de força que se estabelece na busca pela hegemonia dentro de um espaço plural. Ou não é assim?

Para sermos mais verdadeiros, o que está existido mesmo, é um certo ciúme da nossa candidatura, pois no fundo, lá bem no íntimo, o que todos queriam era estar nesse lugar privilegiado. Estar nesse espaço e ser legitimado por ele, é carregar todo o simbolismo de uma luta que foi e continuará sendo vitoriosa. Por acreditarmos nessa luta de REFAZER A UNIR, “VIDA LONGA AO FÓRUM.”

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

NOTA DE ESCLARECIMENTO E RETRATAÇÃO PÚBLICA

Reforçamos a informação de que as opiniões veiculadas nos comentários deste blog NÃO correspondem, necessariamente, à opinião do FÓRUM PERMANENTE EM DEFESA DA UNIR, bem como dos colaboradores deste espaço de idéias. Assim viemos a público nos retratar a respeito de comentário escrito por “anônimo” que se referia à pessoa de “Marília”. As palavras escritas neste comentário NÃO refletem, em hipótese alguma, a opinião dos autores deste canal de comunicação. Informamos também que o citado comentário já foi excluído do blog e que todo e qualquer comentário passará, de agora em diante, por moderação, a fim de evitar possíveis transtornos.
Atenciosamente,
Administradores.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

"A experiência é um carro com os faróis voltados para trás"

Por professor Edilson Lôbo

A citação acima é de um dos maiores escritores brasileiros, Pedro Nava, morto em meados dos anos oitenta, ao afirmar que a sua experiência não lhe servia para nada.

Muito embora minha opinião não convirja com o pensamento de Nava, tão pouco devamos aludi-la, (a experiência) como fator de exclusão, àquelas pessoas que almejam na sua caminhada cotidiana, progredir ou ascender em qualquer setor da sua vida profissional.

Esse meu comentário vem a propósito, considerando algumas vozes que querem fazer coro na UNIR. De que estamos falando? De uma candidatura que hoje reune as melhores condições para reivindicar a reitoria da Universidade Federal de Rondônia: a da professora Berenice Tourinho.

Evocar a falta de experiência administrativa como condição primeira para não habilitá-la a assumir este posto é de uma fragilidade. Rememoremos todos os nossos ex-Reitores, analisemos as suas trajetórias no percurso de suas campanhas, e constataremos que a nenhum deles (pelo menos ao que me consta), foi cobrada a experiência administrativa necessária como condição para dirigir a nossa Instituição.

Para além da tão propalada falta de experiência em administração da candidata Berenice Tourinho, sobra-lhe legitimidade, coerência, capacidade, respeito às decisões coletivas e conhecimento profundo da atual situação da nossa Universidade, em todas as suas dimensões. Está na Comissão que integra membros do MEC e dos demais segmentos da UNIR, uma espécie de "gabinete de Crise" para, a partir de um diagnóstico da grave situação em que se encontra a Universidade, "construir pontes", no dizer da própria professora Berenice, na perspectiva de ver sanada tal situação. Posição mais privilegiada não existiria para um olhar crítico dos nossos reais problemas. A experiência nessa perspectiva passa a ser um mero detalhe. Como se não bastasse, gravita em torno da sua candidatura o apoio incondicional do Fórum Permanente em defesa da UNIR, que congrega pessoas dos três segmentos da comunidade acadêmica. É uma pessoa que inspira total confiança nesse coletivo e, basedos nessa mútua confiança, todos juntos haveremos de REFAZER A UNIR.

Filme sobre o Fórum

sábado, 4 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Errata: Evento do Fórum

Convidamos toda a comunidade acadêmica a comparecer no auditório Paulo Freire na segunda-feira (06 de fevereiro) às 18h.

Na ocasião, o Fórum vai rememorar sua história (desde a greve, passando por reuniões no Paulo Freire e na Unir-Centro e envolvendo a comunidade acadêmica), apresentar suas propostas e apresentar a candidata do Fórum, Berenice Tourinho, aos que ainda não a conhecem. Discentes, docentes e técnicos estão convidados.

Declarações de apoio

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Grupos de trabalho

A campanha da Berenice é uma pauta dentro do Fórum, de modo que os grupos de trabalho que atuarão na campanha devem partir do Fórum. As reuniões do Fórum serão, de agora em diante, toda sexta-feira às 18h no SINDSEF. Nessas reuniões, todos os GTs se reunirão para informar sobre o andamento de suas ações. Os GTs são:


  • Mobilização e eventos (eventos e visitas ao interior). Integrantes: Thalita (mestrado em admin.), Aurineide, Leonir e Lou.
  • Comunicação e imprensa (blog, tabloide, material). Integrantes: Papagaio, Adilson, Binho, Ana Felipini. 
  • Elaboração do Plano de Administração. Integrantes: os alunos Ricardo e Igor Smith; a técnica Angela Souto; e os professores Moreira, Marli, Beth, Ari Ott, Cynthia, Clésia e Jorge.

A Coordenação Executiva da campanha tem como função organizar as ações dos GTs. Nesta coordenação estão Jorge, Ari Ott e Marcelo, as técnicas Tânia Mara e Carmen Claros e os alunos Bárbara e Ricardo.

A Universidade em seu LUGAR

Por prof. Edilson Lôbo


A Universidade Federal de Rondônia está vivenciando um momento ímpar da sua história. É a primeira vez que tem um nome para concorrer ao posto maior da sua direção, fruto de uma ampla discussão, onde estão presentes professores, técnicos e alunos. Quem a legitimou foi o Fórum que congrega pessoas desses três segmentos. Uma instância aberta, democrática e que possibilita a todos quantos dele queiram participar a mesma condição de igualdade nas decisões. Certamente, como todo movimento que congrega pessoas de visões diferentes, em algum momento, pululam espasmos de tensões, nem sempre desejáveis. Ainda não aprendemos a viver em ambiente tensionado... No dizer de Bernard Charlot, "...o sujeito é tensão. Não se produz eletricidade, vida e energia sem tensão... não se produz história e nem humanidade sem tensões."
Em que pese a inevitabilidade do conflito, já que imanente à pluralidade de pensamentos dos que compõem o Fórum, é salutar para o fortalecimento e amadurecimento do grupo, posto que evidencia as divergências existentes. Mais que isso, enseja o debate para aprofundar as questões dissonantes, se não para superá-las na sua totalidade, pelo menos dirimi-las de tal sorte a torná-las mais palatáveis ao coletivo que congrega o Fórum. Qual o resultado palpável desse acúmulo de discussão? Invariavelmente um processo natural de filtragem entre os que realmente desejam construir uma Universidade diferenciada, abrindo mão dos seus projetos individuais, em prol de uma decisão mais coletiva. Entendo que não é tarefa das mais fáceis. Permito-me, sem muito rigor na análise, elencar alguns aspectos, que do meu ponto de vista, podem dificultar uma maior aceitação por parte da comunidade acadêmica, a legitimidade do Fórum. Primeiro, pelo não exercício dessa prática, ao menos com essa abrangência e alcance. Segundo, pela desconfiança que as pessoas guardam, em relação às tomadas de decisões coletivas nessa Instituição de Ensino, que não sejam para beneficiar determinados interesses, quer sejam de pessoas ou grupos bem determinados. Terceiro, as pessoas que por algum motivo, não tiveram nenhuma participação no Fórum, principalmente os colegas que estão nos CAMPI do interior, não se sentem legitimamente nele representados. Quarto, as vaidades personalísticas de quem sempre quis estar protagonizando determinados embates no interior da nossa universidade, ao não se sentirem contemplados em seus projetos pessoais, encontram justificativas para deslegitimar o Fórum. Quinto, os nossos naturais adversários, que não querem nenhuma mudança no atual status quo, para continuarem se beneficiando e usando as mesmas práticas clientelistas, eleitoreiras, negociando favores, em troca de interesses pessoais. Por último, como decorrência das demais, a Universidade é por excelência, o espaço privilegiado para o antagonismo, e como tal, é justo que ela esteja aberta de forma livre e democrática para acolher as várias visões de Universidade que se quer.
Acredito, que no momento presente, considerando que o Fórum abriga no seu interior a candidatura da prof. Berenice Tourinho, fruto de uma exaustiva discussão, e de uma disputa extremamente salutar, pois democrática em toda sua extensão, possui total legitimidade para ajudar a construir um projeto de Universidade que contemple o anseio de todos.
Existe um elo comum que nos une. Se na greve, foi a saída de um Reitor não comprometido com a lisura e o respeito aos princípios básicos de gestão, no Fórum, a edificação de um projeto que estabeleça uma ruptura com um ciclo de desmandos, que erodiu todos os pilares das estruturas da nossa Instituição. No médio e longo prazo, responde de forma concreta aos desafios colocados para uma Universidade do nosso tempo. Naturalmente isso requer compromisso, participação e acima de tudo, unidade na adversidade. Aos poucos as coisas começam a fluir com mais clareza. Vai tomando corpo, forma e identidade. Quem apostava nas fraturas do Fórum, por não acreditar ou querer desconstruir a sua legitimidade, ou mais ainda, usar como artifício para urdir outros caminhos, calculou muito mal. O Fórum resistiu a todas as intempéries, e saiu fortalecido no processo de escolha da sua representante ao pleito que elegerá a próxima gestão.
O momento agora é de construir. Construir a Universidade na qual acreditamos. Uma Universidade no meio da Amazônia. Essa especificidade nos impõe um olhar diferenciado quanto aos seus objetivos primeiros. Produzir conhecimentos e saberes para uma realidade diferenciada de um contexto mais global, sem perder de vista o seu caráter universalizante.
Construir a Universidade que seja a aspiração de todos é estar comprometido com o desenvolvimento da sociedade, interferindo nos processos das ações do cotidiano local. Construir a Universidade dos nossos sonhos é não frustrar ou decepcionar os ideais de quem nela confia, e por razões que nos unificam, suportar a dor e os desafios na superação dos males que nos obstam.
Por fim, estamos nessa luta por acreditarmos que uma outra Universidade é possível. Pautada por uma condução ética, envidaremos todos os esforços para elegermos a professora Berenice Tourinho a próxima Reitora da UNIR. Em torno do seu nome, vamos erigir coletivamente os novos pilares da nossa Universidade, ressignificando o papel de uma verdadeira gestão, comprometida com os reais interesses da UNIR.
Interesses que façam da Universidade um espaço de inclusão social. Que lute por condições dignas de trabalho e respeite as instâncias deliberativas. Sedimente a salutar convivência entre os contrários, e busque a consolidação da autonomia universitária, o pleno exercício da democracia e busque incansavelmente o equilíbrio entre as três dimensões que se constituem no suporte de uma Instituição de Ensino Superior: ensino, pesquisa e extensão.
Refletir profundamente e debruçar-se sobre estas questões, ao ponto de torná-las exequível, portanto torná-las real, há de ser a nossa meta. Há de ser a nossa forma de caminhar.

BERENICE TOURINHO PARA REITORA

Coerência

O Pró-reitor de Graduação, Jorge Coimbra, já tinha anunciado publicamente (numa reunião do Fórum) que colocava o seu cargo à disposição, já que apoiava abertamente a candidatura de Berenice Tourinho. Entendendo que os pró-reitores formam uma equipe com a vice-reitora no exercício da Reitoria, considerou coerente abdicar do cargo para fazer campanha para a Berenice - e não a Cristina.

DEMOCRACIA VERSUS BUROCRACIA

Na metade do século XIX, aproximadamente, complexos de normas e ações, a princípio ditadas pelo soberano, passam a ter “valor de Lei”. Séculos depois estas normas e ações, agora discutidas em assembleias, serão renomeadas de burocracia. A burocracia será utilizada como um dos maiores entraves (e desculpa) para impedir o livre exercício da Democracia, da boa política feita de discussões em fóruns abertos, e do respeito ao coletivo e às normas por ele estabelecidas.
A burocracia (ou o governo do bureau) será colocada e construída como anteparo entre a norma e aquele que toma a decisão, entre o representante e seus representados, entre a democracia e o que Giorgio Agamben (1942), em livro intitulado Estado de exceção chamará de “ditadura comissária”.

O governo do bureau será utilizado para justificar a sempre ausência daquele/a que decide, daquele/a que está atrás da mesa, daquele/a que possui “o poder da caneta”. Uma vez eleito/a para representar uma parcela da sociedade, ele (ou ela) isola-se em sua sala e passa a fazer valer a norma por meio de decisões solitárias e pautadas, por vezes, no seu “foro íntimo”.

Mas não foi ele/a eleito/a por um coletivo para uma determinada função? Como pode ele/a, por sua livre decisão, abdicar dessa função para concorrer a outra sem findado o prazo? Como então continuar a decidir e normatizar sobre o governo daqueles seus representados ou não passa a ser uma questão pessoal? Acaso a eleição de seu nome para exercer um cargo forneceu-lhe amplos poderes de decisão? Acaso não existem normas que estabeleceram um prazo a ser cumprido, ou como devam ser tomadas as decisões?

Tais indagações podem encontrar possíveis respostas na já citada obra Estado de exceção do filósofo italiano. Para Agamben, a “ditatura comissária”, por meio da urgência e do sempre inadiável governo do bureau, funciona numa região de livre manobra, na medida em que “suspende de modo concreto a constituição (ou a norma) para defender sua existência”. Uma espécie de limbo legal, em que o que importa é “apagar incêndios”, não o exercício de governar para o bem de uma coletividade.

Dessa forma, sempre absorto nos inadiáveis compromissos, nas solitárias decisões, nos inúmeros e intermináveis processos e pápeis, o/a gestor/a, legitimamente e democraticamente eleito/a, passa a decidir de forma ditatorial, por sua livre e espontânea vontade. O ato de ouvir e consultar aqueles pelos quais e para os quais foi escolhido/a para então decidir deixa de ser a norma e passa a ser exceção. Instala-se uma forma sutil (e legal) de governar de forma burocrática e soberana o que deveria ser uma gestão democrática e coletiva.

Marcelo Sabino
Professor de História - UNIR

Surpresa no Fórum

A reunião de 30 de janeiro começou com a proposta de desvincularmos a campanha da candidata pelo Fórum (Berenice) das discussões do Fórum sobre plano de governo. Para tanto, diferentes grupos de trabalho (envolvendo alunos, técnicos e professores) precisariam ser compostos, diferentes frentes precisariam ser trabalhadas, os calendários seriam separados.

Os alunos presentes na reunião sentiram necessidade de entender por que Cristina não tinha submetido seu nome ao Fórum e viam a possibilidade de chamá-la para a unidade. Por coincidência, a vice-reitora no exercício da Reitoria estava passando por perto do auditório, foi convidada a entrar e participou da reunião.

Cristina foi abertamente questionada por um aluno sobre sua decisão de se lançar como candidata - quando já é vice,- sendo que o momento é de unir para governar, não de dispersar e dar oportunidade para o grupo da gestão anterior voltar.

A vice-reitora no exercício da Reitoria lembrou que apoiou o Comando de Greve desde o início, deu exemplos de como atuou durante a greve, declarou que é ligada ao PMDB e foi cogitada como forte candidata a prefeita em Guajará-Mirim pelo partido. Disse que não teve tempo de participar das reuniões do Fórum porque o gabinete a absorvia e que não dava para discutir a universidade com o Fórum enquanto a universidade pegava fogo. Reconhece que foi se distanciando do Fórum. Justificou seu distanciamento do Fórum com o argumento de que não sabia quem compunha o Fórum, já que não entende que ele é gerido por representantes discentes, docentes e técnicos. Não submeteu seu nome ao Fórum porque não viu o Fórum defendendo a universidade. Devido às demandas da Unir, entende que não há tempo para discussões; e para agir, buscou ajuda de quem estava mais próximo dela. No seu entendimento, havia um direcionamento no Fórum para o nome da Berenice.

Beth lembrou que seu nome (da Beth) esteve na roda desde antes do fim da greve e que ela somente retirou do horizonte a possibilidade de se candidatar quando foi vencida na eleição promovida pelo Fórum na semana passada. Em outras palavras, o nome da Berenice não era consenso no Fórum.

Praticamente todos que se inscreveram para falar depois da fala de Cristina (e foram muitos) propuseram que ela retirasse sua candidatura (já que foi eleita para o cargo de vice e tem esse cargo garantido) e apoiasse a Berenice justamente para valorizar e preservar a união alcançada durante a greve.

Cristina disse que é muito solitário o lugar de reitor, mas que já tomou a sua decisão e não gostaria de mudá-la. No entanto, vai ponderar sobre o que ouviu durante esta reunião.

A outra surpresa na reunião desta noite foi a declaração do prof. Daniel, do SINDSEF, que declarou total apoio à candidatura da Berenice e que pretende envolver ativamente o SINDSEF na luta pela união da UNIR.

Como a pauta desta reunião não chegou a ser contemplada minimamente, decidimos fazer reunião no dia 31 para tratar da pauta de 30 de janeiro.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

No Youtube

Na reunião do dia 24 de janeiro, o Fórum contava com duas pré-candidatas (e Júlio Rocha como candidato pela UNIR que se propunha a dialogar com o Fórum). Estas três pessoas proferiram discursos sobre como lidar com os problemas da UNIR. Estes discursos foram gravados e estão disponíveis no Youtube. Na barra da direita deste blog, há links para se chegar aos vídeos.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A candidata do Fórum

162 pessoas votaram na noite de 26 de janeiro.

2 votos estavam em branco.
34 votos foram para Elizabeth Martines.
126 votos definiram Berenice Tourinho como a candidata do Fórum.

A próxima reunião do Fórum será na segunda-feira, dia 30, na Unir-Centro às 18h, para discutir
  • plano de governo e 
  • estratégia de campanha.

Nota de apoio de Rolim de Moura


CARTA DE APOIO

Após reunião ocorrida em 24 de janeiro de 2012 entre estudantes e docentes, seguida de enquete realizada entre os Docentes grevistas, vimos perante o Fórum em Defesa da UNIR, defender a Candidatura da Professora Berenice Tourinho como o melhor nome a ser lançado por este espaço para eleições da Reitoria da UNIR.
Tal decisão, obtida após um importante debate e após a maioria absoluta dos grevistas apoiarem a candidatura de Berenice; considera que precisamos discutir uma proposta de Gestão participativa multicampi que privilegie definir um Projeto de Universidade que queremos: com Qualidade, com transparência na Gestão da coisa pública, socialmente referenciada e que vise atender os anseios do povo rondoniense.
Propomos que o Fórum, após a definição do nome, deve possibilitar espaço de discussão em todos os campi, buscando debater os problemas e apresentar soluções concretas que visem consolidar o Ensino, a Pesquisa e a Extensão da UNIR. Estamos cientes de que a UNIR precisa de um esforço coletivo, que se configura em uma Candidatura a Reitoria que possa fortalecer e consolidar os cursos existentes, ultrapassando as barreiras do jogo de interesses eleitoreiros e particulares.
Ressaltamos nossa defesa de que a Professora Berenice Tourinho reúne as condições necessárias para o diálogo aberto, franco e democrático com conjunto de toda a comunidade Universitária e ao mesmo tempo traz consigo uma trajetória de defesa da Universidade Pública, gratuita e de qualidade. Afirmamos ainda que apoiaremos as deliberações do fórum.

Rolim de Moura-RO, 26 de janeiro de 2012.

Docentes e Estudantes grevistas do Campus de Rolim de Moura

Nota aos campi do interior

A coordenação do Fórum Permanente em Defesa da UNIR informa os estudantes, professores e técnicos dos campi do interior que tentou, durante as reuniões do Fórum, garantir a participação mais efetiva de todos, mas infelizmente a UNIR NÃO possui sequer um ponto de internet no auditório de sua Reitoria, tampouco acesso à internet sem fio. 
 
Gostaríamos de pedir que, se for possível a vinda de representantes do interior para Porto Velho, que venham referendar o fórum, hoje dia 26 de janeiro, das 18h às 20h no Auditório da UNIR centro, trazendo documento com foto. 
 
Pedimos a participação de todos. O fórum é legítimo, representa a continuidade da luta de todos aqueles que apoiaram a greve que conseguiu tirar um gestor, representa a única instância democrática em que técnicos, estudantes e professores possuem o mesmo peso em suas decisões. 
 
Assim, entendemos ser legítimo e forte o suficiente para, AGORA escolher, dentre as duas pré-candidatas que COLOCARAM seus nomes à apreciação do Fórum, uma que irá compor a gestão da Universidade que queremos. 
 
Unidos continuaremos a reconstrução de uma Universidade pública, gratuita, democrática, laica, de qualidade e socialmente referenciada. Uma Universidade que expresse o compromisso com a comunidade acadêmica e promova qualidade e responsabilidade social. 
 
E, claro, que tenha meios para garantir a comunicação rápida e fácil a todos os seus campi.
Porto Velho, 26 de janeiro de 2012.

Sobre a reunião de 25 de janeiro

Presidindo a mesa estavam os professores Tenório, Adilson, Paulo de Tarso e o aluno Lulu.

O primeiro ponto de pauta já tinha sido tangenciado na reunião de ontem, mas se alongou devido ao fato dos dois candidatos: Cristina e Júlio Rocha anunciarem que são candidatos pela UNIR e não pelo Fórum, mas querem participar das discussões do Fórum. Já que o entendimento é que uma das funções do Fórum, enquanto fruto da greve, é lançar um candidato, o compromisso do candidato com o Fórum é uma questão central. O entendimento é que quem não está disposto a submeter seu nome ao Fórum demonstra que não está disposto a trabalhar coletivamente. Durante as discussões, Lula anunciou que se retira do Fórum.

O seguinte termo de compromisso foi lido em voz alta e entregue a Cristina, Júlio Rocha e Berenice (Elizabeth estava ausente):
 
TERMO DE COMPROMISSO



Eu, ___________________________________________, SIAPE nº____________, lotado no Departamento ________________________________, pré-candidato(a) à Reitoria da Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR) para a Gestão 2012-2016, por meio deste termo, assumo o compromisso de trabalhar por uma Universidade pública, gratuita, democrática, laica, de qualidade e socialmente referenciada; por uma instituição que expresse o compromisso com a comunidade universitária, com a qualidade e responsabilidade social do trabalho acadêmico e com a construção de uma sociedade justa e igualitária.
Por concordar com os princípios que norteiam o Fórum e por estar de acordo com a unidade da comunidade universitária, assumo o compromisso de que caso o meu nome não seja referendado por esse coletivo, abdico de minha candidatura à Reitoria.


Porto Velho, de janeiro de 2012

_______________________________________

Apenas Berenice assinou o termo de compromisso. Beth já tinha concordado em assinar o termo de compromisso ontem.

O segundo ponto de pauta era a metodologia da votação. Foi decidido que antes da votação haverá uma breve apresentação (15 minutos cada) das duas candidatas pelo Fórum (Berenice e Beth). Não haverá debate, apenas a apresentação para os que ainda não tiveram chance de conhecer as propostas das duas candidatas.

Foi decidido que o voto será secreto, amanhã na Unir-Centro, das 18h às 20h. Votam alunos, técnicos e professores. Para votar, é necessário apresentar documento com foto para fins de controlar voto em duplicidade.  A comissão eleitoral foi composta dos professores Tenório, Marcelo e Lou e dos alunos Moronha e Fernando.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sobre a reunião de 24 de janeiro

Presidindo a mesa estavam os alunos Alisson e Fernanda, a técnica Tânia Mara e os professores Adilson e Lula.

Grande parte da reunião deste dia foi dedicada à discussão sobre a identidade e legitimidade do Fórum. Em linhas gerais, ficou entendido que o Fórum é um espaço de discussão sobre a universidade que queremos e sobre os problemas atuais da UNIR. Independente da próxima gestão, o Fórum deve continuar existindo para monitorar os direcionamentos dados à universidade. Surgiu a proposta de institucionalizar o Fórum em defesa da Unir e transformá-lo numa Assembleia Universitária. O próprio auditório lotado de pessoas interessadas na discussão já legitima o Fórum.

Aconteceu um debate entre os pré-candidatos Berenice Tourinho, Elizabeth Martines e Júlio Rocha. A vice-reitora em exercício da Reitoria não compareceu à reunião e Júlio Rocha explicou que é candidato da Unir e não do Fórum, mas que continuará frequentando as reuniões do Fórum. Quando questionado se apoiaria outro nome se o dele não fosse eleito para candidato do Fórum e se candidataria de maneira avulsa, respondeu que vai se candidatar de maneira avulsa, independente do Fórum. Berenice e Beth, ao contrário, apoiariam outro candidato se seus respectivos nomes não fossem os eleitos a candidato pelo Fórum e não se lançariam candidatas sem o apoio do Fórum. Júlio Rocha conclamou os quatro pré-candidatos declarados (Berenice, Beth, Cristina e Júlio) para que se reúnam para medir currículos e decidir quem tem melhores condições de assumir a Reitoria.

O debate foi de alto nível e ajudou a esclarecer para a plenária qual é a visão de universidade, de reitor e de gestão de universidade que os candidatos têm. Além de fazerem uma fala em resposta aos problemas apontados pelos pró-reitores na reunião anterior, os candidatos responderam a perguntas da plenária (duas rodadas de 5 e uma de 3 perguntas). Não cabe aqui reproduzir as falas dos pré-candidatos, mas algumas palavras-chave que definem o perfil de cada um dos três pré-candidatos.

Júlio Rocha - combate ao mal e à corrupção
Elizabeth Martines - ganhar autonomia para administrar os recursos do MEC
Berenice Tourinho - fortalecer o trabalho coletivo e a tomada de decisão coletiva
(Perdoem se mirei mal. O espaço dos comentários e o e-mail servem como canal de reivindicação.)

A reunião foi encerrada por volta das 23h e não deu tempo de cumprir a pauta. Por isso haverá outra reunião hoje na Unir-Centro às 18h para discutirmos o termo de compromisso dos pré-candidatos do Fórum e estabelecermos a dinâmica da votação para candidato inscrito.

Reunião no dia 25 de janeiro

A pauta da reunião de 24 de janeiro era bastante extensa e não foi cumprida até o término da reunião, que se deu por volta das 23h. Os pontos de pauta tratados foram:
  • informes
  • identidade e legitimdade de Fórum
  • reação dos pré-candidatos em relação aos problemas apresentados pelos pró-reitores na reunião anterior
  • questionamentos da plenária dirigidos aos pré-candidatos.
Os seguintes pontos de pauta não foram tratados nesta reunião e portanto foi convocada uma reunião extra para 25 de janeiro às 18h no auditório da Reitoria:

  • termo de compromisso dos pré-candidatos
  • metodologia da votação para candidato do Fórum.
O relato-ata da reunião de 24 de janeiro será postado em breve.

    terça-feira, 24 de janeiro de 2012

    Consenso versus bom senso

    Sou professor de História, mas aprendi as operações fundamentais da matemática, e numa delas, a divisão, consta que qualquer coisa dividida por 1 terá como resultado sempre essa mesma coisa. Levando em conta as últimas discussões no Fórum e em redes sociais, temo que estejamos todos esquecendo esta lição básica da Matemática e do bom senso.
    Que não há consenso entre os participantes do Fórum, até compreendo e é salutar. Agora, que nos falte bom senso, não consigo entender. Se tivermos um resultado dividido, ou seja, se este mesmo grupo que se uniu durante a greve em prol de uma Universidade justa, digna, pública, transparente, se dividir, corremos o risco de não alcançar tais objetivos.
    Explico: dividindo nossos votos entre inúmeros candidatos, corremos o risco de que algum candidato comprometido com outros interesses que não os defendidos durante a greve e continuados pelo Fórum some mais votos. E novamente perderemos a chance de ter uma gestão digna e representativa de nossos desejos acadêmicos.
    Por isso apelo ao nosso bom senso. E aí, quem nos dá a lição é a História. John Adams Junior (1735-1826), segundo presidente dos Estados Unidos da América, declarou certa ocasião que a noção de que governos livres podiam criar raízes entre os sul-americanos era tão absurda quanto tentar instaurar democracias entre as aves, as feras e os peixes. Ele se referia principalmente às regiões da América Espanhola e à quase total ausência de ações políticas racionais e coletivas.
    Muitos historiadores da América Latina, D. A. G. WADDEL, T. H. DONGHI, J. LYNCH, T. ANNA, são unânimes em afirmar que um dos maiores problemas políticos (e sociais) dessa região do globo é o personalismo, ou melhor, o caudilhismo. A ausência de consenso e de (bom senso) somados à própria manutenção de um processo eleitoral apolítico e antidemocrático (no sentido literal da palavra), proporcionam que um ou outro personagem (o caudilho) assuma como sua responsabilidade a salvação da pátria. Ele, e somente ele, seria o único capaz de salvar a nação.
    Lembro a todos que uma nação, uma sociedade, e uma universidade NÃO são constituídas e construídas por vontades ou interesses pessoais - ao menos não deveriam ser. Foi contra isso que lutamos na greve e é contra isso que estamos reunidos no Fórum.
    Senhores e senhoras, consenso nem sempre é possível, mas bom senso é fundamental e necessário sempre, afinal não somos aves, feras ou peixes: sabemos dividir, somar, multiplicar e diminuir.
    Marcelo Sabino – Professor de História – UNIR.

    segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

    A universidade que queremos

    O Fórum em defesa da Unir existe como espaço de discussão. Essa discussão tem no horizonte a universidade que queremos: pública, gratuita, autônoma, apartidária, democrática e laica. O Fórum pretende continuar enquanto espaço de discussão durante a próxima gestão, seja ela qual for, porque entende que a principal característica da democracia é a participação.

    Durante a greve ficou evidente como o domínio de um partido político sobre a universidade é nocivo para a coisa pública. Na gestão anterior, as decisões tomadas via ad referendum mostraram como a participação efetiva das pessoas ligadas à administração superior fazia falta para a construção de uma universidade democrática. A greve derrubou a gestão anterior; e agora o Fórum pretende apoiar um candidato que compartilhe com o ideal da universidade pública.

    sábado, 21 de janeiro de 2012

    Sobre a reunião de 20 de janeiro


    A mesa foi composta inicialmente pelos professores Tuninho e Lula e posteriormente, dada a necessidade de ausência de Tuninho, por Lula, Marcelo Sabino e Rejane. Logo no início, Tuninho informou que foi tentada uma possibilidade de contato online com o interior, que provavelmente se realizará na próxima reunião do Fórum.
    Os atuais Pró-reitores, Valdir Vegini, Jorge Coimbra e Tarique, apresentaram a situação em que se encontram as pró-reitorias de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPesq), de Graduação (PROGRAD) e de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis (PROCEA). Em resumo, foram estes os principais problemas apontados:
    PROPesq
    1. Falta de infraestrutura para o funcionamento dos cursos de pós-graduação existentes, tais como salas, secretarias.
    2. Falta de pessoal (técnic@s, secretári@s) na Pró-reitoria.
    3. Falta de apoio para a publicação de pesquisas.
    PROGRAD
    1. Necessidade de regularização dos cursos da Universidade.
    2. Necessidade de regularização de cursos da PARFOR.
    3. Necessidade de regularização de lotações e de vagas de professores.
    4. Necessidade de traçar políticas de graduação.
    PROCEA
    1. Planos de qualificar as bolsas do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes).
    2. Planos para aplicação do percentual de ½ por cento do orçamento da Universidade em Cultura e Extensão.

    A ideia agora é que, na próxima reunião, os pré-candidatos se debrucem sobre os problemas apresentados pelos atuais pró-reitores. Na reunião, os pré-candidatos presentes se manifestaram:
    • Professora Berenice Tourinho destacou que há a necessidade de concentração de esforços e de motivação para regularizar o processo de gestão da UNIR, que se encontra atualmente com sérios problemas de governabilidade. Destacou a necessidade de se restituir a estrutura da Universidade e a ocupação de espaços políticos. Para tanto, acredita no excelente potencial humano da Universidade e lembrou que mesmo diante de todos os problemas, a Universidade se manteve de pé com cursos e projetos e atribui tudo isso aos seus colaboradores de um modo geral. Destacou que a luta da greve visava mudanças e que hoje essas mudanças são possíveis e que devemos nos empenhar para fazê-las.
    • Professora Elizabeth Martines destacou a importância de se continuar unido em torno de uma Universidade melhor. Falou da necessidade da continuidade de manutenção de discussões em torno da Universidade e da continuidade do atual grupo do fórum como lugar de discussão da Universidade. Lembrou que foi esse mesmo grupo que lutou durante a greve e que o objetivo foi alcançado, no primeiro momento, pois todos colocaram suas diferenças de lado em prol de um objetivo único. Destacou quatro importantes valores para a construção de uma nova Universidade: Justiça, diálogo, respeito e solidariedade e acredita nesses valores para uma nova gestão, independente de quem esteja à frente da Instituição.
    • Professor Julio Rocha fez um breve histórico de sua experiência acadêmica no exterior, com doutorados e docência. Lembrou seu empenho na luta contra a corrupção e atuação ativa na Direção do Núcleo de Ciências Humanas com aprovação de projetos e cursos de pós-graduação. Destacou a importância de colocar em prática os projetos e anseios da comunidade acadêmica. Falou da importância de um bom trânsito entre as várias instâncias da Universidade e dos órgãos superiores. Lembrou que deve haver a devida apuração das possíveis irregularidades, mas não como um ato de vingança, e sim de justiça, sem excluir aqueles que possivelmente agiram de forma ilegal, porque são essenciais para a Universidade, há que se levar em conta a continuidade dos trabalhos da Universidade. Destacou a necessidade de se conhecer a história da Universidade e agir com paciência para o crescimento da UNIR.
    A Vice-Reitora no Exercício da Reitoria, Maria Cristina Victorino de França, pediu a palavra e declarou sua candidatura à Reitoria da Universidade. Disse que tem o direito de se lançar a Reitora e que ocupa o cargo de Vice Reitora por um processo de eleição que a escolheu para tanto. Salientou as inúmeras dificuldades que vem encontrando neste período de gestão. Disse que a Universidade está destruída e que os presentes sequer tinham idéia do atual estado da UNIR

    Continuamos esperando manifestações dos outros campi em relação à candidatura à Reitoria e lembramos que a proposta do Fórum é inscrever e apoiar apenas um candidato. A escolha deste candidato se dará até dia 26 de janeiro, véspera da inscrição, depois de um debate entre os pré-candidatos. A próxima reunião foi marcada para terça-feira, 24 de janeiro, às 18h - mesmo sendo feriado municipal.

    terça-feira, 17 de janeiro de 2012

    Sobre a reunião de 17 de janeiro

    Presidindo a mesa estavam Lula, Erasmo e Tuninho e na plenária havia pelo menos 70 pessoas (alunos e professores). O primeiro ponto de discussão foi se, enquanto Fórum, discutimos um nome de candidato a Reitor(a) ou não. Depois de uma longa discussão, foi votado (48 a favor, 16 contra e 3 abstenções) que o Fórum deve discutir nomes de candidatos (juntamente com suas propostas de gestão, claro).

    O campus Porto Velho conta com três pessoas que, conforme declararam durante a reunião de hoje, aceitam a candidatura: Berenice Tourinho, Elisabeth Martines e Júlio Rocha. Consideramos que estes professores sejam pré-candidatos. Entendemos que é crucial que os outros campi se mobilizem, participem  e aprofundem as discussões, se façam presentes nas reuniões e apresentem seus pré-candidatos.

    Ficou estabelecido que faremos pelo menos duas reuniões semanais até 26 de janeiro, já que a data final para as inscrições a candidato se encerram no dia 27 de janeiro de 2012. A próxima reunião ficou marcada para sexta-feira, dia 20, às 18h no auditório da Reitoria.

    Ao longo dessas reuniões, a pauta serão propostas de gestão e a promoção de um debate entre os pré-candidatos. Ao final deste debate o Fórum decidirá quem será seu candidato inscrito.

    segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

    Reunião urgente

    A pedido do Prof. Luiz Carlos (Lula), que argumentou que a reunião do Fórum tinha sido pensada para o dia 17 de janeiro (amanhã), convidamos a todos para participarem da reunião amanhã no auditório da Reitoria às 18:00. Desculpem o caráter de urgência, mas é importantíssimo que o maior número possível de pessoas compareça.

    A reunião de 24 fica mantida, porque entendemos que precisamos nos reunir constantemente.

    sábado, 14 de janeiro de 2012

    Obituário na Folha

    São Paulo, sábado, 14 de janeiro de 2012Cotidiano
    Cotidiano
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    A missão do arqueólogo paulista

    ESTÊVÃO BERTONI
    DE SÃO PAULO
    Em 2009, o paulistano André Penin Santos de Lima topou o desafio de ajudar a montar o curso de arqueologia na Universidade Federal de Rondônia. Como professor, assumiu quatro cursos, o dobro do que era exigido.
    Filho de um juiz aposentado e de uma advogada, formou-se em direito na PUC em 1998 e em história na USP, em 2000. No começo, trabalhou com direito, na companhia Suzano de Papel e Celulose.
    Mas a paixão pela arqueologia foi mais forte. Concluiu o mestrado (2005) e o doutorado (2010) na área, pela USP.
    Como técnico em arqueologia, passou pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) de São Paulo e Florianópolis.
    O curso em Porto Velho, apesar de distanciá-lo de casa, surgiu como uma grande oportunidade, conta o irmão, Guilherme, economista.
    Transformou-se numa espécie de missionário e se alegrava em poder compartilhar seu conhecimento com os alunos. No início, por ser um curso novo, suas aulas não eram tão técnicas. Levava filmes para discutir cultura geral em sala. Também dedicava-se a um museu, que abrigaria peças de uma área alagada por uma hidrelétrica.
    Nos momentos de lazer, gostava de praticar judô.
    Na quarta, após dois dias tido como desaparecido, foi encontrado morto em casa, aos 35. A polícia prendeu um suspeito, que confessou tê-lo abordado no domingo (8) em seu carro. Levou-o para casa e, depois de asfixiá-lo, roubou equipamentos e o carro.
    Foi enterrado ontem, em São Paulo. A missa do sétimo dia será amanhã, às 19h, na paróquia Santo Ivo, em SP.
    coluna.obituario@uol.com.br

    sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

    Nota de pesar e indignação pela perda do Prof. André Penin

    O Fórum Permanente em Defesa da UNIR vem a público manifestar sua indignação e pesar pela perda trágica do Prof. Dr. André Penin Santos de Lima (Departamento de Arqueologia da UNIR), encontrado morto em seu apartamento no dia 11/1/2012, vítima de latrocínio.
    O professor André foi um lutador das grandes causas. Sempre demonstrou coerência em suas atitudes, profissional ético, colega solidário e pessoa comprometida com a defesa de uma sociedade justa e fraterna e com a proposta de um ensino púbico, gratuito e de qualidade.
    André participou ativamente na greve que depôs o reitor da UNIR Januário Amaral, demonstrando indignação com as denúncias de corrupção e na defesa da ética no serviço público.
    Deixa saudades e estímulos para todos que defendem uma sociedade justa e fraterna.

    quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

    Em virtude do luto

    Em virtude do luto pelo colega André Penin, a reunião que estava marcada para hoje, 18h na Unir-Centro, foi remarcada para terça-feira, 24 de janeiro, às 18h.

    terça-feira, 10 de janeiro de 2012

    Retomando os trabalhos

    CONVITE – REUNIÃO
     
    Considerando as duas últimas reuniões do FÓRUM PERMANENTE EM DEFESA DA UNIR ocorridas no mês de dezembro de 2011 nas quais se deliberou que:
    a)   Antes da escolha do nome que concorrerá ao cargo de reitor na Consulta à Comunidade Universitária, como representante do Fórum, seriam realizadas reuniões para organizar e propor os eixos norteadores a orientar a nova gestão;
     
    b)   Foi escolhido o dia 15 de março de 2012 como data limite para a realização da eleição oficial no Conselho Universitário (CONSUN), tendo essa data aprovada na seção do CONSUN realizada no dia 23/12/2011. E nesta mesma seção foi eleita uma Comissão Especial para Coordenar a Consulta a Comunidade para a Escolha do Reitor da UNIR (Resolução nº 070/CONSUN) composta por 02 (dois) professores, 01 (um) técnico administrativo e 01 estudante.
                Considerando que Comissão definiu que as inscrições para os candidato(a)s a consulta à comunidade universitária se dará no período de 13 a 27 de janeiro de 2012, e diante da urgência imposta pelo prazo acima exposto, estamos CONVIDANDO todos os membros do FÓRUM PERMANENTE EM DEFESA DA UNIR, (professores, técnicos administrativos e estudantes) para uma REUNIÃO que ocorrerá no dia 12 de janeiro no auditório da UNIR - Centro às 18h para discutir e encaminhar proposta para a próxima gestão à candidatura que representará o Fórum. A mesma deverá contemplar aspectos: administrativos, acadêmicos e políticos (curto médio e longo prazo).